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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Um mundo sem fim de Ken Follett







Um mundo sem fim
de Ken Follett
Editorial Presença, 2008


É de facto Um Mundo Sem Fim…
Querem saber porquê? Então, sigam-me!


Chama-se Ken Follet, o escritor inglês responsável por esta deliciosa obra, que desde o seu lançamento, em 2007, já vendeu quatro milhões de exemplares.
Notável, não vos parece?
O êxito desta narrativa reside na simplicidade da trama, vejamos porquê:
Através de um narrador omnisciente e heterodiegético, o leitor pode seguir durante vários anos a vida de quatro crianças.
A acção passa-se numa pequena, mas promissora vila do interior de Inglaterra, o priorado de Kingsbridge , em 1327., plena Idade Média.
Caris, Gwenda e os irmãos Merthin e Ralph deixaram rapidamente a Catedral de Kingsbridge, depois da missa em homenagem ao Dia de Todos os Santos, em direcção à floresta. Mal sabiam que estavam prestes a presenciar um duplo assassinato, sobre o qual decidem fazer um pacto de silêncio. As suas vidas, porém, desde este instante, já estavam ligadas para sempre.
É também na Kingsbridge medieval que floresce a paixão entre Caris Wooler, - filha de um produtor de lã, muito rico - e o corajoso Merthin Builder. Ela, mulher de personalidade marcante e filha do mais eminente mercador da cidade, está decidida a fazer o condado prosperar, não sem antes desafiar várias convenções sociais. Merthin, por sua vez, consagra-se como construtor de talento, mas sonha com o dia em que Caris ficará para sempre a seu lado.
O irmão mais novo de Merthin, o ambicioso Ralph cresce obstinado a fazer parte da nobreza, ainda que para isso tenha de mostrar a sua face mais cruel e implacável. Quando o seu pai, Sir Gerald, perde as terras, o prior Anthony e o conde Roland, chefe maior da região, determinam que Ralph, o filho mais alto e forte de Sir Gerald, seja aprendiz de cavaleiro, enquanto o menor, Merthin, apesar de mais velho, seja carpinteiro.
Gwenda, cheia de privações impostas pelo destino, luta para mudar a sua vida simplória e triste, condenada até a períodos de fome. As dificuldades constantes da sua família, levam o seu irmão, Philemon, a buscar abrigo no Priorado. Para concretizar o sonho de ser monge, não olha a meios para atingir os seus fins, neste caso, conquistar a confiança de Godwyn, médico formado em Oxford, primo de Caris. Assim como Philemon, Godwyn tinha grandes planos – sonhava em ser o prior de Kingsbridge.E consegue!
Numa atmosfera de conspirações, costumes rígidos e jogos de poder, as vidas destas personagens vão-se entrelaçando em encontros e desencontros, gerando do amor mais puro ao ódio mais visceral. Numa terra onde a lei é determinada pela Igreja, que interfere em todas as actividades, tudo é supervisionado pelo padre prior, numa terra medieval, povoada por reis e cavaleiros, servos e senhores, mas onde todos precisam de sobreviver ao passado, às intrigas e a um terrível inimigo comum: a Peste Negra. As autoridades de Kingsbridge não têm dúvidas de que se trata de um castigo dos céus para purgar os pecados da comunidade.
Mais uma vez, a vida nunca mais seria como antes, e todos o sabiam.
Este surpreendente enredo é acompanhado por minuciosas descrições de um tempo histórico demasiado longínquo para nós, leitores do século XXI. Através desta obra, ficamos a compreender melhor uma Inglaterra mergulhada num tempo conturbado por jogos de poder, muita violência e ambição, e assolada pela maior tragédia do século XIV – a Peste Negra
Outra questão curiosa, prende-se com a caracterização das personagens. É muito interessante verificar que a determinação, a coragem, a ousadia e a genialidade são características transversais a todas as personagens, sendo, contudo, usadas para o bem ou para o mal, de acordo com os fins que pretendem atingir.
Mas a minha personagem de eleição é Caris. Passo a explicar porquê:
Caris é desde a infância uma mulher determinada e questiona os valores impostos por uma sociedade machista, onde a mulher não passa de um simples ser sem cérebro, nem vontade própria. Ora Caris, tenta quebrar estas leis. Primeiro afirma que pretende ser médica, quando sabe, que isso é impossível. Mais tarde, quando descobre o amor, põe em causa o casamento, porquanto não tem espírito de servilismo, recusando-se ser criada e propriedade de um homem. Em plena Idade Média, Caris desafia os poderes instituídos. Engravida durante o namoro e, pressentindo uma vida de escravidão, resolve abortar. Com a sua rara inteligência, conseguiu fazer vingar o seu amor, explicando ao seu amado, a diferença entre o amor desinteressado e vivido em liberdade e o “amor-contrato”, aquele que serve interesses, que é mais tarde destruído por valores, outros, que matam o amor verdadeiro. Foi igualmente o seu lado inquiridor que a colocou várias vezes em conflito com a Igreja, questionando as suas regras e atitudes, valendo-lhe, mais tarde, uma acusação de heresia por parte do priorado. Para não ser condenada à morte, aceitou a proposta do bispo: entrou num convento e tornou-se freira. Mas este facto não a impediu de pugnar pelos seus valores.
Ora temos que considerar que estamos perante uma personagem ímpar, que apresenta uma visão demasiado vanguardista para aquele tempo e obriga-nos a pensar que em todas as épocas existiram seres capazes de questionar a ordem do mundo e as leis que são impostas por um grupo de pessoas, sempre minoritário, contudo poderoso.
Gostava, ainda, de me referir à forma. Este romance histórico (porque também retrata uma época) e realista serve-se de uma linguagem simples, mas incisiva, polvilhada com figuras retóricas variadas, dignas de estudo. O vocabulário não é do mais rebuscado, mas é cuidado. A variedade dos temas é tratada sem tabus, com sensibilidade e inteligência refinadas A tradução contém poucas gralhas. Graças à vitalidade da narrativa, a leitura fluí ávida e descontraidamente, sem vontade de fazer pausas.
Por tudo isto, e muito mais, que cabe a cada um de vós descobrir, aconselho vivamente a leitura desta obra, porque, tal como comecei, terminarei dizendo que estamos, de facto, perante Um Mundo Sem Fim …


Um abraço e boas leituras.
Margarida Rodrigues
(Prof. 3ºCiclo Português/Francês – EB 2,3 de Arganil)

O terceiro gémeo de Ken Follett

O terceiro gémeo
de Ken Follett
Editorial Notícias, 1998


A polémica sobre a clonagem e as perigosas possibilidades da manipulação genética são os temas provocantes da obra “O Terceiro Gémeo” de Ken Follett.

Habituados ao estilo do romance histórico a que Ken Follett nos habituou e de que Os pilares da Terra e Um Mundo Sem Fim são exemplos excelentes, somos confrontados agora com um thriller emocionante: Na sequência de uma sucessão de crimes de carácter sexual, a pesquisadora Jeannie Ferrami descobre gémeos idênticos, clones perfeitos, com o mesmo ADN, mas nascidos de diferentes mães, em diferentes datas! Perturbada com esta estranha descoberta, ela resolve ir ao fundo desta charada. Mergulhando na trama de uma enorme conspiração, Jeannie Ferrami é apanhada nesta teia de enredos, ao apaixonar-se por um dos gémeos. Como sair deste paradoxo, em que o amor por um indivíduo pode multiplicar-se por tês, quatro, cinco, seis…ou sete?

Mas a obra vais muito mais longe! Ela coloca-nos questões tão pertinentes como saber até que ponto é que o indivíduo é condicionado pela educação e pelo meio em que se insere; que aspectos da nossa personalidade é que “herdamos” geneticamente e quais é que nos são incutidos pela educação que recebemos.

Trata-se de uma obra para os amantes de romances de terror e de espionagem, mas também para todos os que gostam de uma história bem contada.

Os pilares da terra de Ken Follett


Ken Follett, nasceu a 5 de Junho de 1949, em Cardiff, no País de Gales. Formado em filosofia, é um autor de grande sucesso, que vê os seus livros darem regularmente origem a filmes ou séries televisivas. A sua primeira obra foi publicada em 1978 sob o título Eye of the Needle, um thriller que venceu o Edgar Award e deu origem a um filme.
Algumas obras:
• O Triângulo; A chave de Rebeca; Na Toca do Leão; O Homem de São Petersburgo; Uma Fortuna Perigoso; O Voo da Águia; O Terceiro Gémeo e recentemente Mundo Sem Fim.
Colecção: Grandes Narrativas
Preço c/iva: €20,00
ISBN: 978-972-23-3788-5
Nº de Páginas: 504 (1º volume)
Nº de Volumes: 2
Data da 1ª Edição:
17-7-2007
Contextualização:

A narrativa inicia-se em 1123 e finda em 1174. São descritos cerca de 50 anos de acontecimentos da História da Inglaterra: A guerra civil travada pelo trono; as movimentações políticas e religiosas entre o clero e a nobreza que tem como ponto culminante e de viragem o do assassinato de Thomas Becket a mando do rei Henrique II; a vida diária do povo e todas as contingências a que está sujeito, numa época de guerra…
Sinopse:


Na Inglaterra do século XII, Tom, um humilde pedreiro e mestre-de-obras, tem um sonho majestoso – construir uma imponente catedral, dotada de uma beleza sublime, digna de tocar os céus. E é na persecução desse sonho que com ele e a sua família vamos encontrando um colorido mosaico de personagens que se cruzam ao longo de gerações e cujos destinos se entrelaçam de formas misteriosas e surpreendentes, capazes de alterar o curso da história.
A narrativa assenta em várias histórias paralelas com um fio condutor que as une. Ken Follett consegue reconstituir magistralmente aquela época, construindo um painel de personagens que abrande todos a estrutura social: O clero, onde o prior Philip e o malévolo Valeron Bigot são a sua face para o bem e para o mal; O Povo, representado por Tom Pedreiro, Alfredo e Jack; A aristocracia, com Aliena, Richard e William Hamleigh, o sanguinário cavaleiro que se comete as maiores atrocidades para ser conde; A realeza que surge a espaços; Os proscritos, gente sem casa, sem nada, representada por Ellen. Nesta obra Ken Follett teve o cuidado de reconstruir toda a sociedade da época.