quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

O físico de Noah Gordon


O AUTOR:


Noah Gordon nasceu a 11 de Novembro de 1926 em Worcester, Massachusetts, onde passou a sua infância e frequentou o ensino primário.
Terminou os estudos secundários em 1945 e em 1950 obteve o bacharelato em ciências jornalísticas. No ano seguinte obteve um diploma académico em Inglês e escrita criativa.
Trabalhou e colaborou com diversos jornais tais como: “The Boston Herald”; The “Saturday review”, “Medical World News”, entre outros.
Publicou o seu primeiro livro, The Rabbi, em 1965, ao qual se seguiram The Death Committee (1969), O Diamante de Jerusalém (1979), O físico (1986), Xamã (1992), Matters of choice (1996), O último Judeu (2000), Sam and other animal stories (2002) e mais recentemente, The Bodega (2007).
A maior parte dos seus romances tem como temática assuntos relacionados com a medicina, a inquisição e a herança cultural judia.

O LIVRO:


"O Físico" é o primeiro livro da trilogia de Noah Gordon que conta a história da família Cole através dos séculos. Esta é a história da saga de Rob J. Cole, que sonha em se formar em medicina numa época em que a organização do saber na Europa ainda era rudimentar, permeada por proibições da igreja católica e reservada aos bem-nascidos.
Rob Cole ficou órfão de pai e mãe com dois irmãos pequenos para criar: William, de seis anos, e Anne Mary, de quatro. Lutando para sobreviver, começa a trabalhar como aprendiz de cirurgião-barbeiro e apaixona-se pela medicina.
Rob possui um dom, uma obsessão em aprender sempre mais, não pelo dinheiro que pode vir a ganhar com isso, mas pelas vidas que pode salvar. Ao tomar conhecimento da existência de uma extraordinária escola de medicina na longínqua Pérsia, dirigida pelo lendário Abu Ali at-Hussain ibn Abdullah ibn Sina, o Príncipe dos Médicos, ele resolve que é lá que quer estudar.
Além da distância e da língua estranha, a escola não aceita cristãos, pelo que Rob resolve desafiar os severos costumes da época e disfarçar-se de judeu. Todo o caminho percorrido por Rob Cole em busca de seu objectivo, a viagem até o Oriente, a sua transformação em judeu, os obstáculos até ser aceite na escola e a aprendizagem numa terra estranha fazem parte de uma agradável narrativa capaz de captar a atenção do leitor horas a fio.

EXTRACTO DA OBRA:

“Ainda que isso levasse toda a sua vida, procuraria até que encontrasse um físico digno de quem pudesse ser aprendiz, decidiu.
Quanto aos judeus, ele falara apenas com dois dos médicos deles. Sem dúvida que existiriam outros.
- Talvez um me aceitasse como aprendiz se eu fingisse ser judeu – disse para a gata.
Foi assim que tudo começou, como alguns menos que um sonho – uma fantasia em conversa à toa; ele sabia que não podia ser um judeu de uma forma suficientemente convincente para aguentar o exame minucioso diário de um mestre judeu.
Mas estava sentado em frente da fogueira a olhar fixamente para as chamas, e tudo tomou forma.
A gata virou-se e oferecia a sua barriga sedosa.
- Será que eu não podia ser um judeu suficientemente bom para satisfazer os muçulmanos? – perguntou Rob à gata, a si próprio e a Deus.
Suficientemente bom para estudar com o maior físico do mundo?
Atordoado pela enormidade do pensamento, deixou cair a gata, que correu aos saltos para a carroça. Passado um momento estava de volta, arrastando o que parecia ser um animal peludo. Afinal era a barba postiça que ele usara durante a farsa do Velhinho. Rob pegou nela. Se ele pôde ser um velhinho para o Barbeiro, perguntou-se, porque não poderia ser um hebreu? (…)
- Hei-de ser um judeu falso! – gritou. (…)”
Livro do mês,
sugestão da Biblioteca Municipal de Arganil

Um mundo sem fim de Ken Follett







Um mundo sem fim
de Ken Follett
Editorial Presença, 2008


É de facto Um Mundo Sem Fim…
Querem saber porquê? Então, sigam-me!


Chama-se Ken Follet, o escritor inglês responsável por esta deliciosa obra, que desde o seu lançamento, em 2007, já vendeu quatro milhões de exemplares.
Notável, não vos parece?
O êxito desta narrativa reside na simplicidade da trama, vejamos porquê:
Através de um narrador omnisciente e heterodiegético, o leitor pode seguir durante vários anos a vida de quatro crianças.
A acção passa-se numa pequena, mas promissora vila do interior de Inglaterra, o priorado de Kingsbridge , em 1327., plena Idade Média.
Caris, Gwenda e os irmãos Merthin e Ralph deixaram rapidamente a Catedral de Kingsbridge, depois da missa em homenagem ao Dia de Todos os Santos, em direcção à floresta. Mal sabiam que estavam prestes a presenciar um duplo assassinato, sobre o qual decidem fazer um pacto de silêncio. As suas vidas, porém, desde este instante, já estavam ligadas para sempre.
É também na Kingsbridge medieval que floresce a paixão entre Caris Wooler, - filha de um produtor de lã, muito rico - e o corajoso Merthin Builder. Ela, mulher de personalidade marcante e filha do mais eminente mercador da cidade, está decidida a fazer o condado prosperar, não sem antes desafiar várias convenções sociais. Merthin, por sua vez, consagra-se como construtor de talento, mas sonha com o dia em que Caris ficará para sempre a seu lado.
O irmão mais novo de Merthin, o ambicioso Ralph cresce obstinado a fazer parte da nobreza, ainda que para isso tenha de mostrar a sua face mais cruel e implacável. Quando o seu pai, Sir Gerald, perde as terras, o prior Anthony e o conde Roland, chefe maior da região, determinam que Ralph, o filho mais alto e forte de Sir Gerald, seja aprendiz de cavaleiro, enquanto o menor, Merthin, apesar de mais velho, seja carpinteiro.
Gwenda, cheia de privações impostas pelo destino, luta para mudar a sua vida simplória e triste, condenada até a períodos de fome. As dificuldades constantes da sua família, levam o seu irmão, Philemon, a buscar abrigo no Priorado. Para concretizar o sonho de ser monge, não olha a meios para atingir os seus fins, neste caso, conquistar a confiança de Godwyn, médico formado em Oxford, primo de Caris. Assim como Philemon, Godwyn tinha grandes planos – sonhava em ser o prior de Kingsbridge.E consegue!
Numa atmosfera de conspirações, costumes rígidos e jogos de poder, as vidas destas personagens vão-se entrelaçando em encontros e desencontros, gerando do amor mais puro ao ódio mais visceral. Numa terra onde a lei é determinada pela Igreja, que interfere em todas as actividades, tudo é supervisionado pelo padre prior, numa terra medieval, povoada por reis e cavaleiros, servos e senhores, mas onde todos precisam de sobreviver ao passado, às intrigas e a um terrível inimigo comum: a Peste Negra. As autoridades de Kingsbridge não têm dúvidas de que se trata de um castigo dos céus para purgar os pecados da comunidade.
Mais uma vez, a vida nunca mais seria como antes, e todos o sabiam.
Este surpreendente enredo é acompanhado por minuciosas descrições de um tempo histórico demasiado longínquo para nós, leitores do século XXI. Através desta obra, ficamos a compreender melhor uma Inglaterra mergulhada num tempo conturbado por jogos de poder, muita violência e ambição, e assolada pela maior tragédia do século XIV – a Peste Negra
Outra questão curiosa, prende-se com a caracterização das personagens. É muito interessante verificar que a determinação, a coragem, a ousadia e a genialidade são características transversais a todas as personagens, sendo, contudo, usadas para o bem ou para o mal, de acordo com os fins que pretendem atingir.
Mas a minha personagem de eleição é Caris. Passo a explicar porquê:
Caris é desde a infância uma mulher determinada e questiona os valores impostos por uma sociedade machista, onde a mulher não passa de um simples ser sem cérebro, nem vontade própria. Ora Caris, tenta quebrar estas leis. Primeiro afirma que pretende ser médica, quando sabe, que isso é impossível. Mais tarde, quando descobre o amor, põe em causa o casamento, porquanto não tem espírito de servilismo, recusando-se ser criada e propriedade de um homem. Em plena Idade Média, Caris desafia os poderes instituídos. Engravida durante o namoro e, pressentindo uma vida de escravidão, resolve abortar. Com a sua rara inteligência, conseguiu fazer vingar o seu amor, explicando ao seu amado, a diferença entre o amor desinteressado e vivido em liberdade e o “amor-contrato”, aquele que serve interesses, que é mais tarde destruído por valores, outros, que matam o amor verdadeiro. Foi igualmente o seu lado inquiridor que a colocou várias vezes em conflito com a Igreja, questionando as suas regras e atitudes, valendo-lhe, mais tarde, uma acusação de heresia por parte do priorado. Para não ser condenada à morte, aceitou a proposta do bispo: entrou num convento e tornou-se freira. Mas este facto não a impediu de pugnar pelos seus valores.
Ora temos que considerar que estamos perante uma personagem ímpar, que apresenta uma visão demasiado vanguardista para aquele tempo e obriga-nos a pensar que em todas as épocas existiram seres capazes de questionar a ordem do mundo e as leis que são impostas por um grupo de pessoas, sempre minoritário, contudo poderoso.
Gostava, ainda, de me referir à forma. Este romance histórico (porque também retrata uma época) e realista serve-se de uma linguagem simples, mas incisiva, polvilhada com figuras retóricas variadas, dignas de estudo. O vocabulário não é do mais rebuscado, mas é cuidado. A variedade dos temas é tratada sem tabus, com sensibilidade e inteligência refinadas A tradução contém poucas gralhas. Graças à vitalidade da narrativa, a leitura fluí ávida e descontraidamente, sem vontade de fazer pausas.
Por tudo isto, e muito mais, que cabe a cada um de vós descobrir, aconselho vivamente a leitura desta obra, porque, tal como comecei, terminarei dizendo que estamos, de facto, perante Um Mundo Sem Fim …


Um abraço e boas leituras.
Margarida Rodrigues
(Prof. 3ºCiclo Português/Francês – EB 2,3 de Arganil)

O terceiro gémeo de Ken Follett

O terceiro gémeo
de Ken Follett
Editorial Notícias, 1998


A polémica sobre a clonagem e as perigosas possibilidades da manipulação genética são os temas provocantes da obra “O Terceiro Gémeo” de Ken Follett.

Habituados ao estilo do romance histórico a que Ken Follett nos habituou e de que Os pilares da Terra e Um Mundo Sem Fim são exemplos excelentes, somos confrontados agora com um thriller emocionante: Na sequência de uma sucessão de crimes de carácter sexual, a pesquisadora Jeannie Ferrami descobre gémeos idênticos, clones perfeitos, com o mesmo ADN, mas nascidos de diferentes mães, em diferentes datas! Perturbada com esta estranha descoberta, ela resolve ir ao fundo desta charada. Mergulhando na trama de uma enorme conspiração, Jeannie Ferrami é apanhada nesta teia de enredos, ao apaixonar-se por um dos gémeos. Como sair deste paradoxo, em que o amor por um indivíduo pode multiplicar-se por tês, quatro, cinco, seis…ou sete?

Mas a obra vais muito mais longe! Ela coloca-nos questões tão pertinentes como saber até que ponto é que o indivíduo é condicionado pela educação e pelo meio em que se insere; que aspectos da nossa personalidade é que “herdamos” geneticamente e quais é que nos são incutidos pela educação que recebemos.

Trata-se de uma obra para os amantes de romances de terror e de espionagem, mas também para todos os que gostam de uma história bem contada.

Os pilares da terra de Ken Follett


Ken Follett, nasceu a 5 de Junho de 1949, em Cardiff, no País de Gales. Formado em filosofia, é um autor de grande sucesso, que vê os seus livros darem regularmente origem a filmes ou séries televisivas. A sua primeira obra foi publicada em 1978 sob o título Eye of the Needle, um thriller que venceu o Edgar Award e deu origem a um filme.
Algumas obras:
• O Triângulo; A chave de Rebeca; Na Toca do Leão; O Homem de São Petersburgo; Uma Fortuna Perigoso; O Voo da Águia; O Terceiro Gémeo e recentemente Mundo Sem Fim.
Colecção: Grandes Narrativas
Preço c/iva: €20,00
ISBN: 978-972-23-3788-5
Nº de Páginas: 504 (1º volume)
Nº de Volumes: 2
Data da 1ª Edição:
17-7-2007
Contextualização:

A narrativa inicia-se em 1123 e finda em 1174. São descritos cerca de 50 anos de acontecimentos da História da Inglaterra: A guerra civil travada pelo trono; as movimentações políticas e religiosas entre o clero e a nobreza que tem como ponto culminante e de viragem o do assassinato de Thomas Becket a mando do rei Henrique II; a vida diária do povo e todas as contingências a que está sujeito, numa época de guerra…
Sinopse:


Na Inglaterra do século XII, Tom, um humilde pedreiro e mestre-de-obras, tem um sonho majestoso – construir uma imponente catedral, dotada de uma beleza sublime, digna de tocar os céus. E é na persecução desse sonho que com ele e a sua família vamos encontrando um colorido mosaico de personagens que se cruzam ao longo de gerações e cujos destinos se entrelaçam de formas misteriosas e surpreendentes, capazes de alterar o curso da história.
A narrativa assenta em várias histórias paralelas com um fio condutor que as une. Ken Follett consegue reconstituir magistralmente aquela época, construindo um painel de personagens que abrande todos a estrutura social: O clero, onde o prior Philip e o malévolo Valeron Bigot são a sua face para o bem e para o mal; O Povo, representado por Tom Pedreiro, Alfredo e Jack; A aristocracia, com Aliena, Richard e William Hamleigh, o sanguinário cavaleiro que se comete as maiores atrocidades para ser conde; A realeza que surge a espaços; Os proscritos, gente sem casa, sem nada, representada por Ellen. Nesta obra Ken Follett teve o cuidado de reconstruir toda a sociedade da época.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Concurso de Leitura 2009

Este concurso insere-se num projecto alargado de promoção da leitura que decorre ao longo de todo o ano lectivo de 2008 / 2009 dinamizado pelo Serviço de Apoio às Bibliotecas Escolares do Concelho de Arganil

Objectivo Geral: Promover hábitos de leitura junto dos alunos das Escolas do 1º CEB

Objectivos específicos: Promover actividades relacionadas com a leitura; Criar laços de afectividade com os livros e Incentivar a leitura em casa.

Parcerias: Resulta de uma parceria entre a Câmara Municipal de Arganil / Biblioteca Municipal Miguel Torga e as Bibliotecas Escolares do 1º CEB dos Agrupamentos de Arganil e Côja.

Participantes: Crianças do 3º e 4º ano que frequentam as Escolas do 1º CEB dos Agrupamentos de Arganil e Côja.

Objectivo: Este concurso de leitura tem como objectivo incentivar as crianças a ler mais levando-as a uma maior destreza na leitura.

Como se processa?
Após a inscrição no concurso (ver regulamento), os alunos, com a ajuda dos professores, deverão seleccionar um excerto de uma obra, um poema, um conto de que gostem. Após a selecção, o participante deverá treinar a leitura do mesmo, tendo em conta a dicção e a exposição oral.
Será afixado o calendário das eliminatórias com a participação dos alunos inscritos. A primeira e segunda eliminatória decorrerá na Biblioteca Municipal para os alunos da Escola do 1º CEB de Arganil e na Biblioteca Escolar ou Sala de Aula para as restantes Escolas concorrentes.

AS INSCRIÇÕES ESTÃO ABERTAS ATÉ AO DIA 9 DE JANEIRO DE 2009

Consulta o regulamento em www.bib-arganil.org

Vencedores do Concurso Mensagens de Natal

Terminou mais um concurso de Mensagens de Natal que pretendia incentivar a criação de postais de Natal. Uma mensagem de Natal e ilustração alusiva ao tema era o necessário à sua concretização e ingredientes como a criatividade e a imaginação. Este ano concorreram 64 cartões e várias escolas participaram: alunos da Escola do 1º CEB de Folques, S. Martinho da Cortiça, Secarias, Arganil.

PARABÉNS AOS PARTICIPANTES PELA INICIATIVA E PELOS MAGNIFICOS TRABALHOS!
EIS OS VENCEDORES:









quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

As minhas roupas ganharam vida

Num certo dia, acordei muito bem-disposto. Entretanto, mudei de humor, pois ao abrir o guarda-fato, verifiquei que as minhas roupas tinham desaparecido. Eu nem queria acreditar. Uma lufada de vento fez-me virar para a janela e, qual não é o meu espanto, quando vejo as minhas roupas a “andar”, ou melhor, pareciam fugir de mim. Saltei para as apanhar mas, por azar, catrapús! Bati contra o meu candeeiro e pumba! Ficou em pedaços. Tentei escondê-lo da minha mãe, colocando os vidros no lixo e dizendo-lhe que me tinha caído uma moldura. Ela, como tem um “sexto sentido”, (normalmente coisas de mulheres) adivinhou logo que tinha sido outra coisa. Subiu ao meu quarto e levei um grande raspanete. Fiquei indiferente e esperei até se calar, o que demorou muito, pois quando minha mãe começa a falar, não se cala. Bem, voltando às minhas roupas, quando olhei novamente pela janela vi-as ao longe a esvoaçar como uma borboleta na Primavera. Fiquei impressionado, de boca aberta. As minhas roupas ganharam vida!
Comecei a magicar para os meus botões, neste caso era mais para o meu pijama, para onde é que elas tinham ido. Será que foi uma fada, ou uma lâmpada mágica, que as fez voar, como nos filmes? – Questionei.
Mas pensei que isso só acontecia nos sonhos ou nos próprios filmes, e não na realidade. Olhei para o relógio e vi que eram 8h 20m. Só tinha dez minutos para me despachar. Mas o que ia vestir? – pensei eu.
Naquele momento ouvi uma voz muito baixinha a chamar-me:
- Andrééééé! Olha! Olha!
Reparei que vinha do meu corpo: o meu pijama falava!
Olhei para ele e, um pouco com cara de parvo, disse:
- És tu quem está a falar? Quem és? O que se está aqui a passar? As minhas roupas?
- Tanta pergunta! Calma! – Respondeu – Tens de ser tu a encontrar essas respostas. Para tal, tens de seguir este mapa.
- Mas isto é só metade de um mapa – disse eu.
- Sim, tens de encontrar a outra metade. Já que és tão esperto, vamos ver se a encontras. Todos precisamos uns dos outros e de tudo o que existe à nossa volta, não achas?
- Então…. Mas…. Mas…..
De repente, fiquei nú pois também o pijama saiu do meu corpo e fugiu pela janela. Ainda tentei agarrá-lo mas, mais uma vez, tropecei num carro de brinquedo e caí no meio do chão. Bolas, que manhã atribulada de quedas.
- Andréééééé! Despacha-te! Se não estiveres cá em baixo dentro de um minuto vou-me embora e vais a pé para a escola! – Gritava minha mãe.
Como é que ia sair desta embrulhada? E o que é que o meu pijama queria dizer com aquela conversa? Meu Deus, a minha cabeça estava a entrar em órbita.
Calcei uns sapatos do meu pai e vesti um casaco da minha mãe, “unisexo”. Saí a correr pela porta das traseiras e lá fui seguindo as orientações do mapa. Encontrei a outra metade numa árvore junto de umas cuecas minhas. Juntei as duas partes e formei um mapa.
Curva e contra-curva, à direita e à esquerda, finalmente cheguei junto a um riacho. Entretanto, alguém chamou as minhas roupas e reuniram-se em grupo. Tentei ouvir o que diziam mas não consegui.
Que engraçado, quem falava andava com as minhas roupas favoritas. Tomei coragem e fui falar com elas, sem as assustar:
- Boa tarde, roupas. Não se assustem, mas eu sou o vosso dono. – Disse baixo.
-Ah! Ah! Ah! Ih! Ih! Ih! Ih! - Riram-se.
- O que foi? – Perguntei cheio de curiosidade.
- Ah! Ah! Ah! Ih! Ih! Ih! – Continuaram.
- Mas o que se passa? – Perguntei, já muito irritado.
Finalmente, virou-se uma roupa para mim, dizendo:
- Ah! Ah! Ah! Olha só para ti! Ah! Ah! Ah! Pareces o homem primitivo, que andava semi-nú. Ah! Ah! Ah!
- Pronto, está bem, está bem! Posso parecer engraçado mas agradecia que não gozassem mais. Se estou assim é por vossa culpa, pois desapareceram.
- Ai sim? Sentiste a nossa falta? Afinal temos algum valor, apesar de não sermos seres humanos. Percebeste agora aquilo que eu te disse? – Perguntou o pijama com ar de vingança.
Fiquei envergonhado, muito envergonhado. A minha cara parecia um grande tomate vermelho. Passado um tempo, e depois de gozarem bastante com o meu aspecto, lá perceberam que eu estava mesmo arrependido. Reuniram-se novamente, ponderaram a situação e decidiram perdoar-me. Chamaram-me e, depois de uma grande festa, regressei a casa, já todo janota com as minhas roupas favoritas.
Fui mesmo a tempo, pois a minha mãe já estava a sair do portão. Comi e excitado contei-lhe toda esta aventura.
A minha mãe, muito preocupada, disse:
- O que se passa, André? Tu não deves estar bem!?
Entretanto começou a rir e disse:
- Adormeceste novamente e sonhaste com isso tudo. Agora estou a perceber porque demoraste tanto. Isso está a acontecer porque andas a ver filmes a mais.
“Amarrei o burro”, como se costuma dizer, e lá fui ter mais um dia de aulas.
À noite, quando cheguei a casa, a primeira coisa que fui fazer foi ver as minhas roupas. Lá estavam elas, quietinhas, murchas, no seu canto.
Nesta altura questionei-me:
- Foi sonho………. Ou …………. Realidade?
Bem, só sei que aprendi a lição que não devo dizer que as roupas e qualquer objecto não servem para nada, que podemos deitá-las fora, para o lixo, quando quisermos. Todos temos uma função importante neste mundo, sejamos ou não seres humanos! E as nossas roupas devem ser estimadas e cuidadas.


Elaborado por:
André Vicente 6º E Nº 3