quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

As minhas roupas ganharam vida

Num certo dia, acordei muito bem-disposto. Entretanto, mudei de humor, pois ao abrir o guarda-fato, verifiquei que as minhas roupas tinham desaparecido. Eu nem queria acreditar. Uma lufada de vento fez-me virar para a janela e, qual não é o meu espanto, quando vejo as minhas roupas a “andar”, ou melhor, pareciam fugir de mim. Saltei para as apanhar mas, por azar, catrapús! Bati contra o meu candeeiro e pumba! Ficou em pedaços. Tentei escondê-lo da minha mãe, colocando os vidros no lixo e dizendo-lhe que me tinha caído uma moldura. Ela, como tem um “sexto sentido”, (normalmente coisas de mulheres) adivinhou logo que tinha sido outra coisa. Subiu ao meu quarto e levei um grande raspanete. Fiquei indiferente e esperei até se calar, o que demorou muito, pois quando minha mãe começa a falar, não se cala. Bem, voltando às minhas roupas, quando olhei novamente pela janela vi-as ao longe a esvoaçar como uma borboleta na Primavera. Fiquei impressionado, de boca aberta. As minhas roupas ganharam vida!
Comecei a magicar para os meus botões, neste caso era mais para o meu pijama, para onde é que elas tinham ido. Será que foi uma fada, ou uma lâmpada mágica, que as fez voar, como nos filmes? – Questionei.
Mas pensei que isso só acontecia nos sonhos ou nos próprios filmes, e não na realidade. Olhei para o relógio e vi que eram 8h 20m. Só tinha dez minutos para me despachar. Mas o que ia vestir? – pensei eu.
Naquele momento ouvi uma voz muito baixinha a chamar-me:
- Andrééééé! Olha! Olha!
Reparei que vinha do meu corpo: o meu pijama falava!
Olhei para ele e, um pouco com cara de parvo, disse:
- És tu quem está a falar? Quem és? O que se está aqui a passar? As minhas roupas?
- Tanta pergunta! Calma! – Respondeu – Tens de ser tu a encontrar essas respostas. Para tal, tens de seguir este mapa.
- Mas isto é só metade de um mapa – disse eu.
- Sim, tens de encontrar a outra metade. Já que és tão esperto, vamos ver se a encontras. Todos precisamos uns dos outros e de tudo o que existe à nossa volta, não achas?
- Então…. Mas…. Mas…..
De repente, fiquei nú pois também o pijama saiu do meu corpo e fugiu pela janela. Ainda tentei agarrá-lo mas, mais uma vez, tropecei num carro de brinquedo e caí no meio do chão. Bolas, que manhã atribulada de quedas.
- Andréééééé! Despacha-te! Se não estiveres cá em baixo dentro de um minuto vou-me embora e vais a pé para a escola! – Gritava minha mãe.
Como é que ia sair desta embrulhada? E o que é que o meu pijama queria dizer com aquela conversa? Meu Deus, a minha cabeça estava a entrar em órbita.
Calcei uns sapatos do meu pai e vesti um casaco da minha mãe, “unisexo”. Saí a correr pela porta das traseiras e lá fui seguindo as orientações do mapa. Encontrei a outra metade numa árvore junto de umas cuecas minhas. Juntei as duas partes e formei um mapa.
Curva e contra-curva, à direita e à esquerda, finalmente cheguei junto a um riacho. Entretanto, alguém chamou as minhas roupas e reuniram-se em grupo. Tentei ouvir o que diziam mas não consegui.
Que engraçado, quem falava andava com as minhas roupas favoritas. Tomei coragem e fui falar com elas, sem as assustar:
- Boa tarde, roupas. Não se assustem, mas eu sou o vosso dono. – Disse baixo.
-Ah! Ah! Ah! Ih! Ih! Ih! Ih! - Riram-se.
- O que foi? – Perguntei cheio de curiosidade.
- Ah! Ah! Ah! Ih! Ih! Ih! – Continuaram.
- Mas o que se passa? – Perguntei, já muito irritado.
Finalmente, virou-se uma roupa para mim, dizendo:
- Ah! Ah! Ah! Olha só para ti! Ah! Ah! Ah! Pareces o homem primitivo, que andava semi-nú. Ah! Ah! Ah!
- Pronto, está bem, está bem! Posso parecer engraçado mas agradecia que não gozassem mais. Se estou assim é por vossa culpa, pois desapareceram.
- Ai sim? Sentiste a nossa falta? Afinal temos algum valor, apesar de não sermos seres humanos. Percebeste agora aquilo que eu te disse? – Perguntou o pijama com ar de vingança.
Fiquei envergonhado, muito envergonhado. A minha cara parecia um grande tomate vermelho. Passado um tempo, e depois de gozarem bastante com o meu aspecto, lá perceberam que eu estava mesmo arrependido. Reuniram-se novamente, ponderaram a situação e decidiram perdoar-me. Chamaram-me e, depois de uma grande festa, regressei a casa, já todo janota com as minhas roupas favoritas.
Fui mesmo a tempo, pois a minha mãe já estava a sair do portão. Comi e excitado contei-lhe toda esta aventura.
A minha mãe, muito preocupada, disse:
- O que se passa, André? Tu não deves estar bem!?
Entretanto começou a rir e disse:
- Adormeceste novamente e sonhaste com isso tudo. Agora estou a perceber porque demoraste tanto. Isso está a acontecer porque andas a ver filmes a mais.
“Amarrei o burro”, como se costuma dizer, e lá fui ter mais um dia de aulas.
À noite, quando cheguei a casa, a primeira coisa que fui fazer foi ver as minhas roupas. Lá estavam elas, quietinhas, murchas, no seu canto.
Nesta altura questionei-me:
- Foi sonho………. Ou …………. Realidade?
Bem, só sei que aprendi a lição que não devo dizer que as roupas e qualquer objecto não servem para nada, que podemos deitá-las fora, para o lixo, quando quisermos. Todos temos uma função importante neste mundo, sejamos ou não seres humanos! E as nossas roupas devem ser estimadas e cuidadas.


Elaborado por:
André Vicente 6º E Nº 3

3 comentários:

  1. a historia esta muiiiiiiitttttttoooooooooooo , gira adurei lela!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Beijs !!!!!!!!!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. eu tambem gosteimuito de lela acho que o autor devia continuar a escrer nao achas??

      Eliminar

Partilhe as suas experiências de leitura... deixe o seu comentário!